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A emoção da ortodoxia

(extraído do livro A Emoção da Ortodoxia, de Trevin Wax)

Nada emociona os desiludidos. Viver no Ocidente no século 21 é viver em um mundo que se tornou desencantado, uma terra de Oz em que as cortinas foram abertas, expondo o maquinário por trás do mistério, os interesses econômicos por trás da política, a psicologia por trás da religião, e o genoma por trás do que costumava ser alma. Nesse prosaico mundo novo, sentimentos de emoção genuína são escassos e obrigam os engenheiros de parques de diversão a construir montanhas-russas cujas subidas íngremes, giros invertidos e curvas fechadas passam com tanta velocidade que o cérebro não é capaz de processar o que está acontecendo; e nem isso é o suficiente. Os caçadores de emoção querem ir mais alto, mais rápido, experimentar mais intensamente a força da gravidade. Aqueles que têm condições financeiras agora fazem passeios de foguete para sentir essa euforia.

Hoje em dia, atletas raramente experimentam o que o comentarista esportivo Jim Mckay descreveu memoravelmente como “a emoção da vitória, a agonia da derrota” (para o programa semanal Wild World of Sports da rede de televisão ABC). Em nosso tempo, os caçadores de emoção procuram esportes extremos com velocidade , altura e risco ainda maiores. Saia da frente, êxtase religioso: dê passagem para a injeção de adrenalina.

Outros sintomas aqui e ali confirmam que estamos morrendo de tédio. Considere, por exemplo, o Rainforest Cafe, um restaurante que se descreve como “uma emoção incrível para todas as idades”. Os clientes não ficam apenas à espera de uma mesa; são recepcionados por um guia da safári que diz: “Sua aventura começa aqui”. São conduzidos, então, para uma floreta tropical artificial, com todos os elementos típicos, (graças a robôs animatrônicos), e, a cada dezoito minutos, há uma “tempestade” com fortes trovões. pois, afinal, que graça tem comer debaixo de um céu azul e sem animais selvagens?

Serás que os cristãos são diferentes? Têm bons motivos para se empolgarem com alguma coisa? Muitos acreditam que doutrina, a formulação de crenças distintivas, é mortalmente tediosa. Até mesmo gente que frequenta a igreja de longa data por vezes imagina que estudar teologia sistemática é tão empolgante quanto ser manobrista de estacionamento: sim, há um sistema e um lugar para cada coisa, mas falta algo que desperte interesse. O próprio termo ortodoxia tem efeito desanimador semelhante; “convenção antiga”, “conformismo enfadonho” ou “opinião acomodada” não são exatamente descrições que incentivam as pessoas a saltar de banco da igreja e aplaudir, ou mesmo se levantar da cama pela manhã.

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